Falta de inovação trava Brasil

fevereiro 19, 2008
Falta de inovação trava avanço do Brasil

Da Agência Estado

“A ambição do Brasil de atuar entre os pesos pesados da competição mundial tropeça na inovação. Pesquisa encomendada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o País não conseguiu fazer da inovação o motor de suas estratégias de desenvolvimento econômico.

Pior ainda: o governo e as empresas ainda confundem inovação com alta tecnologia e política industrial com redução do chamado custo Brasil. O estudo mergulhou na experiência de sete países – Canadá, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão e Reino Unido – e identificou ao menos oito barreiras e nove saídas para o Brasil não acabar na rabeira da competição mundial nem sucumbir ao poderio de países como a Índia e da China em matéria de concorrência.

“A lógica da inovação é sair na frente e vender ao mundo algo que não tenha concorrência, ao menos em um primeiro momento”, resume Reginaldo Arcuri, presidente da ABDI. “Os desafios mudaram. Não basta ter sol, terra e água para ser competitivo em agricultura, nem basta ter aço e alumínio para fabricar bons aviões. Hoje, falamos em grãos geneticamente modificados e em materiais compósitos.”

Coordenada pelo sociólogo Glauco Arbix, da USP, a pesquisa orientou a elaboração da chamada nova política industrial. A pesquisa apontou, entre as principais barreiras à inovação no Brasil, a “descoordenação política” dos órgãos do governo envolvidos com o tema e o emaranhado de regras conflitantes, que produzem um ambiente jurídico pouco propício à atração de investimentos em centros de pesquisa tecnológica e de produção de bens e serviços inovadores no País.”

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Sibratec

janeiro 31, 2008

A notícia não é exatamente nova e o decreto de criação está vigorando desde Novembro, mas o Sibratec deu mais um passo em direção ao seu pleno funcionamento ao indicar o nome dos membros do comitê gestor.  

Por que o Sibratec é relevante para o ambiente de ciência, tecnologia e inovação no Brasil?

  • Primeiro, pelo volume de R$ 600 milhões no orçamento para 2008. Não adianta uma boa idéia sem bala na agulha. E o Sibratec vem quente (ao menos financeiramente) para tal.
  • Segundo, a concepção do Sibratec é trabalhar em rede. Nada será replicado. A idéia é incentivar e coordenar a cooperação entre os atores envolvidos. Isso evita duplicação de trabalho.

O Sibratec é formado por três redes – Centros de Inovação (rede de pré-incubação e incubação nas universidades e centros de pesquisa), Serviços Tecnológicos (redes temáticas de serviços de metrologia, certificação, etc) e Extensão Tecnológica (rede estadual que organiza a governança da educação tecnológica, de acordo com a prioridade estadual).

Sobre este último, acredito que, para Minas Gerais, já temos um sistema de governança (O Sistema Mineiro de Inovação) que pode servir de plataforma para a rede de extensão tecnológica do Sibratec.  


Triple Helix no Japão

janeiro 4, 2008

Outro artigo do Professor Loet.

Dessa vez ele mensura a economia do conhecimento por meio do triple helix (veja no post anterior) no Japão, comparando posteriormente com o Canadá. O método de mensuração é baseado nas publicações científicas e na co-autoria destas, a fim de que possamos observar as interrelações entre indústria, academia e governo (por exemplo, se um membro do governo escreve um artigo científico com um cientista da academia, temos um link observado entre ambos – o agregado de todas as co-autorias em vários anos pode nos informar sobre o que está acontecendo no ambiente de inovação do país).

“International co-authorship relations and university-industry-government (“Triple Helix”) relations have hitherto been studied separately. Using Japanese (ISI) publication data for the period 1981-2004, we were able to study both kinds of relations in a single design. In the Japanese file, 1,277,823 articles with at least one Japanese address were attributed to the three sectors, and we know additionally whether these papers were co-authored internationally. Using the mutual information in three and four dimensions, respectively, we show that the Japanese Triple-Helix system has continuously been eroded at the national level. However, since the middle of the 1990s, international co-authorship relations have contributed to a reduction of the uncertainty. In other words, the national publication system of Japan has developed a capacity to retain surplus value generated internationally. In a final section, we compare these results with an analysis based on similar data for Canada. A relative uncoupling of local university-industry relations because of international collaborations is indicated in both national systems.”


A Economia do Conhecimento (Triple Helix) na Hungria

janeiro 4, 2008

Uma das áreas de pesquisa mais aclamada dentro da economia do conhecimento é o modelo Triple Helix, sobre a interrelação entre governo, academia e empresas.

Esse artigo é o mais novo que o Prof. Loet Leydesdorff, um dos autores da teoria, publicou: 

 How can the knowledge base of a transition economy be measured? Building on previous studies in the Netherlands and Germany, we combine the perspective of regional economics on the interrelationships among geography, technology, and organization with the triple-helix model of university-industry-government relations, and use the mutual information in three dimensions as an indicator of the configurations. Our data consists of firms categorized in terms of sub-regions (proxy for geography), industrial sector (proxy for technology), and firm size (proxy for organization). The results indicate that the knowledge base of Hungary is strongly differentiated in terms of regions. Budapest and its agglomeration are central to the country on every indicator. In the north-western part of the country, foreign-owned companies and FDI disturb an etastistic triple helix dynamics which is still dominant in the eastern part of the country. However, the national level seems no longer to add to the synergy among the regional innovation systems. Further analysis of the knowledge-intensive services and its high-tech components reveals that the transition from the planned economy to integration in the European common market is not yet completed.