Livros bacanas

Cada semana um livro, cada livro um comentário.

Economia e Território

O livro é uma compilação de artigos, sob a organização do Prof. Campolina e Prof. Mauro Borges, que trata o território sob o ponto de vista da economia.

O primeiro artigo, de Michael Storper e Anthony J. Venables (se você acompanha a temática da economia regional, ambos são pesos pesados), apropriadamente entitulado como “o burburinho” fala como a aglomeração de uma cidade e o consequente contato face a face entre seus habitantes provoca externalidades positivas relacionadas à troca de conhecimento entre sua população.

Como dizia Marshal sobre as aglomerações industriais, “os segredos da indústria deixam de ser mistérios e passam a estar no ar!“. Muito mais do que fruto de redes profissionais, os autores argumentam que a causa da troca de informação e conhecimento ser maior nas cidades se deve ao “burburinho”.

Um artigo excelente de verdade, com embasamento em modelos econômicos e simples de ler, embora comunique idéias bem estruturadas e em nada triviais.

Depois, Ann Markusen fala que devemos focar o ator (políticos, firmas, trabalhadores, etc) nos estudos regionais ou de economia geográfica. Pecqueur e Zimmermann trabalham os fundamentos de uma economia de proximidade, e chegam à conclusão que a proximidade geográfica concorre para a produção de externalidades favorecendo a inovação. Coraggio, com uma visão crítica sobre o mundo,  discorre sobre a economia do trabalho como alternativa racional à incerteza (esse último foi o que eu menos gostei até o momento).

Devorei 130 páginas em duas sentadas. É uma amostragem até pequena, frente às quase 580 páginas da obra, mas suficientes para saber que vale a pena!

Searching for Home Abroad: Japanese Brazilian and Transnationalism

Em tempos de centenário da imigração japonesa no Brasil, nada melhor do que Jeffrey Lesser e o livro acima.

Já faz algum tempo que li mas me marcou a questão da identidade dos nikeys brasileiros.

Enquanto eles estão no Brasil, são japoneses.

Quando vão para o Japão como dekasseguis, viram brasileiros.

No Brasil, comem comida japonesa e escutam J-pop mas quando chegam no Japão passam a adorar feijoada, caipirinha e só ouvem Ivete Sangalo e música sertaneja!

O livro analisa todas essas questões identitárias do nikei aqui no Brasil e no Japão. Analisa também, em uma perspectiva histórica, o que foi a imigração japonesa para o Brasil. O estranhamento do recém imigrado, a época da guerra mundial quando passaram a ser “inimigos” do Brasil, etc.

Me marcou muito a história de um linguista japonês que vivia aqui nessa época tensa e que escreveu um trabalho onde compara a língua japonesa e a tupi-guaraní e chega à conclusão de que os índios brasileiros são primos dos japoneses (baixinhos, cabelo preto e liso, olhos um pouco puxados e as semelhanças na língua) . No nosso mito das três raças criadoras da nação brasileira (português, negro africano e índio) o japonês entraria como parte do índio, justificando sua presença entre nós por meio do mais difundido mito fundacional de nosso país!!!

O livro é muito prazeiroso e cheio de curiosidades sobre a vida em conjunto de brasileiros e japoneses, mesmo que em alguns momentos o indivíduo seja ambos!!!

World City Network: A Global Urban Analysis

 

Ok, falamos sobre cidades globais conectadas umas com as outras, globalização, informações fluindo entre uma localidade e outra mas… como medir tudo isso?

O Professor Peter Taylor, junto com a comunidade de estudo da Globalization and World Cities (GaWC) Study Group & Network desenvolveu uma metodologia para esta medição e empreenderam o esforço para coletar dados em 2000, 2004 e, a partir de agora, 2008. São esses dados e essa metodologia que aplico em minha tese (na sessão meus rabiscos).

O livro também mostra os resultados encontrados pela coleta de dados. Londres e depois Nova York são as cidades mais conectadas. No Brasil, São Paulo é a campeã. Existe uma certa divisão de trabalho, algumas cidades são mais centrais na rede financeira (como Hong Kong, Cingapura, Manaha, Frankfurt) enquanto outra é mais central em redes de serviço de publicidade (como Barcelona, por exemplo).

Achei o livro extremamente interessante e é leitura obrigatória para quem pesquisa sobre redes de cidades globais.

Paradiplomacy in Action: The Foreign Relations of Subnational Governments

Devido ao grande número de pessoas entrando no blog usando o termo de busca “paradiplomacia”, o review dessa semana é sobre esse clássico da área.

O livro é uma coletânea de artigos de diversos autores, falando sobre paradiplomacia. Os case studies, mostrando como governos subnacionais estão colocando cada vez mais recursos em atividades de paradiplomacia é muito bom e temos artigos sobre os EUA, UE, Australia, Quebec e os Bascos. Tem um artigo do Noé Cornago sobre paradiplomacia e segurança que inspirou o meu paper vencedor do concurso de Jeju (e me gerou 1.000.000 wons de prêmio). Tem também Brian Hocking, falando sobre multi-level diplomacy (a política externa ser definida pelo governo federal e pelos governos sub-nacionais).

O livro é bom. Um pouquinho falando sobre paradiplomacia nos países em desenvolvimento cairia bem, mas na época não acredito que tinha muita coisa acontecendo (o livro é de 1999). Agora, quase dez anos depois, deveriam lançar um outro livro, descrevendo o estado da arte agora, no novo milênio. Infelizmente, acho que a área de estudo não foi muito para a frente. No Brasil houve um boom nos últimos anos (vários paineis e trabalhos nessa área foram apresentados no encontro da ABRI) mas na minha opinião a área de estudo (bem como a área de atuação governamental) ainda não se consolidou!

Linked: How Everything Is Connected to Everything Else and What It Means

Exatamente: esse é o livro base (e básico – embora Barabási seja um físico e seus papers sejam impossíveis de entender para qualquer um que não saiba muuuuita matemática e estatística) para quem quer se aventurar no mundo das “redes” e suas aplicações em praticamente tudo que nos cerca.

O que tem de especial nesse livro é a descrição de um modelo que descreve como as (quase todas, segundo o autor) redes crescem e adquirem a forma e características que tem. A distribuição não é “normal”, mas sim “power law distribution”, formando hubs e uma dinâmica de crescimento “rich-get-rich”, indiscutivelmente um aspecto da externalidade de rede existente em várias dessas situações.

Não entendeu?

Leia o livro! Ele é realmente simples e apresenta teses assombrosamente complexas em relação à facilidade da leitura.

As aplicações são sobre difusão de doenças contagiosas, topografia da internet, DNA da minhoca, terrorismo, etc..

Wikinomics: como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio

O livro é ótimo.

A tradução do título é péssima!

Em inglês, o título seria “como a colaboração em massa pode mudar qualquer coisa!”.

E pode mesmo! De forma bem fácil e gostosa de ler, o livro fala sobre produtos sendo criados por milhares de pessoas anônimas e desconhecidas (colaboração em massa), sobre trocas de informação (música, filmes, textos, ciência) gratuita na internet (peering), consumidores que são também produtores (prosumers) e tudo o mais que, junto, está causando uma revolução na economia global!!!

Sério, a palavra é revolução! Este livro não é uma obra de ficção científica! O novo paradigma está aí. Não deixe de ler o livro!

4 respostas para Livros bacanas

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